E Josias de Souza lembra que, com a amizade já bem cansada, a
presidente e o governador pernambucano dividirão o mesmo palanque na
cidade de Serra Talhada/PE. Dilma anunciará investimentos de R$ 500
milhões numa adutora. Vai ser divertido acompanhar os discursos da
visitante e do anfitrião.
A aliança entre ambos, já em avançado estágio de decomposição,
permanece insepulta como um símbolo da hipocrisia e do faz de conta que
caracterizam a atividade política. A ornamentação do palco da uma ideia
do teatro. Governa a cidade o petista Luciano Duque, cuja tribo
providenciou faixas pró-Dilma.
Lê-se nas faixas uma mensagem que realça em vermelho os sentimentos
de “gratidão e lealdade” que Serra Talhada supostamente devota a Dilma.
Uma alusão à alegada ingratidão e deslealdade de Eduardo Campos, que
investe contra um governo que recobre Pernambuco de verbas desde Lula.
Aliados do governador também plantaram pela cidade placas de
agradecimento. Devem assegurar a Eduardo, de resto, uma claque à altura
da de Dilma. Informa-se no Planalto que Dilma deve encurtar sua passagem
pela capital, Recife. Sérgio Cabral (PMDB), governador do Rio,
ofereceu-lhe um bom pretexto.
Cabral convidou Dilma para uma missa em memória das vítimas dos
deslizamentos da Região Serrana do Rio. Com isso, a presidente terá de
deixar Pernambuco antes do previsto. A menos que Eduardo a convença do
contrário, não deve almoçar com o quase futuro rival. Melhor assim.
Evita-se a indigestão.FONTE:ROBSON PIRES

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