A
quatro meses do encerramento do terceiro ano de sua gestão, a
popularidade da governadora Rosalba Ciarlini cai a cada dia. Todas as
pesquisas de opinião, produzidas para consumo interno e externo, apontam
desaprovação acima de 80%. Até mesmo em Mossoró e região Oeste,
principais redutos eleitorais da governadora, sua popularidade anda em
queda e a rejeição ao seu mandato ultrapassa a casa dos 60%.
É possível afirmar que o processo é irreversível e que Rosalba
Ciarlini não terá tempo suficiente nem condições para recuperar o
prestígio perdido. Mantido o quadro atual, o projeto de reeleição está
comprometido.
Mantido o quadro atual, de impopularidade e desaprovação recordes, a
governadora vive uma situação muito parecida com a da jornalista Micarla
de Souza na Prefeitura de Natal. Se quiser ser candidata nas próximas
eleições a um cargo que não seja o de governadora, Rosalba terá que
renunciar ao cargo até os primeiros dias de abril. É aí que começam as
complicações.
Para ser candidata à deputada federal, Rosalba terá de mexer com os
interesses do seu próprio grupo político. Com o apoio da prefeita
Claudia Regina, que está ameaçada de cassação definitiva do mandato, a
ex-prefeita Fafá Rosado quer uma vaga na Câmara dos Deputados. Betinho
Rosado, cunhado da governadora, também deseja manter sua cadeira na
Câmara.
Se a eleição para deputada federal é considerada mais simples e
viável, o projeto de voltar ao Senado é tido como mais complicado.
Rosalba teria de enfrentar uma parada dura, uma vez que a deputada
federal Fátima Bezerra desponta como provável candidata a uma cadeira no
Senado disponível nas eleições do próximo ano. Outros nomes como João
Maia e Wilma de Faria também são apontados como prováveis candidatos,
dependendo das alianças e acordos partidários a serem fechados até o
início de 2014.
Se para ser candidata a deputada federal Rosalba Ciarlini precisaria
apenar unificar seu grupo político, para disputar uma eleição
majoritária a governadora precisaria de uma base sólida, coisa que ela
tem não hoje. O PMDB vai romper e será seguido pelo PR. Até mesmo no
Democratas, a governadora tem problemas.
Se decidir ser candidata a deputada federal ou a senadora, Rosalba
teria de renunciar ao governo. O seu substituto legal é o
vice-governador Robinson Faria que tenta, há mais de dois anos,
consolidar o projeto de candidatura ao governo. Sem tempo para mudar os
rumos da administração, Robinson, em caso de renúncia de Rosalba, teria
de arcar com o desgaste e a crise instalada no governo. Ficaria
praticamente alijado da disputa pelo governo, numa situação parecida com
aquela vivida por Fernando Freire em 2002.
Para complicar ainda mais a situação da governadora, informações que
circulam no âmbito do Poder Judiciário apontam que já existem requisitos
legais para pedido de intervenção no Governo do Estado. Um desses
requisitos é o descumprimento, por parte do Estado, de decisões
judiciais.
A menos de um ano do período das convenções partidárias e a menos de
oito meses para o prazo final de desincompatibilização, Rosalba Ciarlini
dá sinais de que tem seu futuro político comprometido. Se esboçar
alguma reação no comando do governo, poderá ser candidata. Mas
dificilmente disputará a reeleição.
Por causa da impopularidade pessoal e desaprovação do seu governo,
Rosalba não terá condições de indicar um candidato à própria sucessão.
Porque dificilmente alguém toparia se apresentar como candidato da
governadora. Sem condições políticas e eleitorais viáveis, resta saber
que rumos tomará a governadora quando 2014 chegar. Até lá, o seu
governo, com duração legal até 31 de dezembro do próximo ano, poderá
estar politicamente morto e eleitoralmente inviável.
do blogue do BV
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