Candidato teve 22% dos votos em Natal e aponta rejeição alta a Henrique Alves no Rio Grande do Norte

O candidato do PSOL a governador,
Robério Paulino, vai liderar uma comitiva de representantes do partido
para uma reunião com o candidato do PSD a governador, Robinson Faria. A
data do encontro ainda será anunciada. O objetivo é ouvir o
vice-governador, que disputará com o candidato do PMDB, Henrique Alves, o
segundo turno das eleições deste ano para governador do Rio Grande do
Norte.
Em entrevista coletiva, Henrique
descartou o apoio do PSOL, afirmando que iria priorizar o fortalecimento
de alianças com os aliados, vencedores e derrotados no último domingo
nas urnas. “Ele sabe que bati muito nele. Acho que o estado vai votar no
menos pior. Minha impressão é que a rejeição ao Henrique no segundo
turno vai aumentar. É o candidato mais identificado com essa velha
política oligárquica. Pelos menos na UFRN é o que estou vendo. Ninguém
está a favor do Robinson, mas existe um sentimento anti-Henrique muito
grande. É generalizado”, avaliou Robério Paulino.
Robinson telefonou para Robério,
parabenizando pela votação, sinalizando pontos em comum entre as
candidaturas manifestando o interesse de ter o apoio do PSOL. Paulino
teve 129.616, ou 8,74% dos votos válidos. “Robinson me ligou, vou
escutá-lo. Vamos com uma comissão do partido, vamos escutá-lo, com toda a
cordialidade. A decisão será coletiva. Por enquanto, nossa posição é de
não apoiar ninguém. Na próxima segunda faremos uma entrevista para
anunciar nossa posição”, adiantou Paulino.
O candidato não descarta propor uma
agenda do PSOL para eventual governo Robinson Faria. A exemplo de Marina
Silva (PSB), que para apoiar Aécio Neves no segundo turno está propondo
que o candidato se comprometa com o fim da reeleição, implantação de
ensino integral e adoção de agenda sustentável, o PSOL também poderá
levar agenda própria ao candidato Robinson Faria.
“Vamos fazer uma plenária no próximo
sábado para definir nossa posição em relação ao segundo turno. Acho que o
PSOL vai ter uma posição de não votar em nenhum dos dois – Henrique ou
Robinson. Nas redes sociais realizamos consultas e o resultado é que a
grande maioria não quer apoiar nenhum nem outro”, salienta o socialista.
O candidato do PSOL, que ficou em
terceiro lugar, mantém a acidez nas críticas tanto a Henrique quanto a
Robinson. Para ele, “Henrique e Robinson não ganharam a eleição;
compraram a eleição. Enquanto fiz uma campanha de R$ 30 mil, eles
executaram uma campanha de R$ 30 milhões ou R$ 40 milhões”, informa. “Só
temos a comemorar a grande votação. Só não temos o que comemorar com a
eleição desses dois. Achamos que lamentavelmente que quem for governador
deles não vai mudar nada. Não vai acabar o analfabetismo, nem melhorar o
estado”.
AGRADECIMENTOS
Robério agradece a votação recebida e
salienta o esforço da sua campanha. Ele diz ter percorrido mais de dez
mil quilômetros. Foi a Mossoró mais de oito vezes. Ao todo, desde
prévias, foram seis meses de trabalho. “Temos um imenso agradecimento,
sobretudo pela votação em Natal, Mossoró e São Gonçalo do Amarante”.
Somente em Natal, 22% dos eleitores
optaram por Robério. Conquistou simpatia não apenas no setor
universitário, mas de classes diversas, como policiais militares,
profissionais liberais, e até mesmo junto a autoridades de Estado.
“Merecemos o voto de setores esclarecidos e escolarizados. A juventude,
centralmente, foi muito importante. Era comum vermos sobrinhos ou netos
pedindo os seus parentes votarem no professor Robério. A juventude
abraçou a campanha, e pediu para os mais velhos votarem”.
“A derrota de Wilma de Faria para o Senado e minha a votação significam surgimento de massa crítica no RN”
A derrota da ex-governadora Wilma de
Faria na disputa pelo Senado Federal, na visão de Robério Paulino, assim
como sua votação expressiva, denotam surgimento de um novo pensamento
no Rio Grande do Norte. “Tanto a derrota da Wilma, como minha votação,
mostram o surgimento de novo pensamento no estado. Há uma massa crítica
se formando”, alerta Paulino, afirmando que tal pensamento, com origem
nos centros de inteligência e juventude, como universidades, rejeita a
forma tradicional de se fazer política.
“Esse pensamento novo é contra o
clientelismo, o fisiologismo, o loteamento da máquina pública, compra de
voto, currais eleitorais. As pessoas estão cansadas, especialmente na
capital. Eles rejeitam a velha política”, diz Paulino, citando que
campanha sem recursos financeiros é viável. Sua campanha custou, segundo
ele, R$ 30 mil.
Uma ninharia, se comparado aos R$ 30
milhões ou R$ 40 milhões de gastos dos adversários. “Minha campanha
custou R$ 30 mil. Ou seja, é possível fazer política sem curral
eleitoral, sem cavalete. Pagar R$ 20 para um pobre coitado desempregado
segurar uma bandeira o dia inteiro sem saber por que é uma
desumanidade”.
Paulino defende, portanto, a implantação
urgente de uma reforma política no país, sobretudo para a instituição
do sistema de financiamento público de campanha. “Minha campanha foi
baseada em ideias, propostas e debates. É possível, é necessário o
financiamento público de campanha, como na Europa. As empresas, doando,
corrompem a eleição”.
Ainda conforme o candidato, Wilma de
Faria ao falar sobre a derrota, atribuiu ao governo federal que teria
usado estrutura para apoiar a senadora eleita Fátima Bezerra (PT).
“Wilma está reclamando de uso da máquina, e ela? Nunca usou esse método?
Ela sempre fez parte disso. Está provando do veneno que sempre
estimulou”.
Fonte:Jornal de Hoje
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