
Três semanas após ter anunciado a moralizadora redução do pagamento de
14.º e 15.º salários para deputados federais, a Mesa Diretora da Câmara
encaminhou a seu plenário projetos que criam a Corregedoria Autônoma e o
Centro de Estudos e Debates Estratégicos e mais 59 cargos.
Em 26 de fevereiro passado, ainda sob o impacto da eleição com margem
folgada, dos presidentes do Senado, Renan Calheiros, e da Câmara,
Henrique Eduardo Alves, ambos do PMDB e sob suspeitas de irregularidades
incompatíveis com os cargos, a Casa aprovou, em votação simbólica,
projeto do Senado que reduz o pagamento do 14.º e 15.º salários dos
parlamentares.
No fundo, a solução encontrada foi uma satisfação à opinião pública, mas
também um passa-moleque, pois o texto aprovado não acabou
definitivamente com o benefício e manteve o pagamento tanto no primeiro
quanto no último ano de cada legislatura. Ainda assim, ao final da
votação, o presidente da Câmara usou o Twitter para festejar o
resultado: "Parabéns a este Plenário, que resgata a altivez e a
dignidade do Parlamento brasileiro".
A oposição também exagerou na comemoração. "O pagamento do 14.º e 15.º
salários é uma vergonha nacional, é inaceitável. Será o fim imediato
desse privilégio", festejou o líder do PSDB, Carlos Sampaio (SP), que
pressionou por essa aprovação. Apenas um deputado protestou contra o fim
do benefício - o ex-governador mineiro Newton Cardoso, do PMDB. "Estão
votando com medo da imprensa, é uma deslealdade com deputados que
precisam (do dinheiro)", disse.
Fonte: Editorial do Jornal Estado de São Paulo
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