Jornal de Hoje – Por que quer ser candidato a governador?
Robério Paulino – Para operar uma transformação profunda nas velhas
estruturas sociais, econômicas, políticas, de gestão, do uso da terra,
em nosso estado. Para reorientar a política econômica que hoje atende
apenas aos interesses dos grandes grupos empresariais, das velhas
oligarquias e elites que dominam nosso estado – culturalmente medíocres,
mesquinhas, sem visão global e sem qualquer preocupação social –, de
forma a passar a governar antes de tudo para superar a profunda e
vergonhosa desigualdade social ainda existente em nossa terra. Também
para arrancar nosso estado do atraso econômico, tecnológico e cultural,
enfim, da ignorância. Mas, por enquanto, sou apenas o pré-candidato ao
governo. Apesar de ter vencido as prévias internas com praticamente 80%
dos votos, meu nome ainda precisa ser homologado pela convenção
partidária do PSOL.
JH – Qual visão o senhor tem do estado?
RP – Infelizmente, apesar de todas nossas potencialidades, vivemos
num dos estados mais atrasados do país quando se trata dos indicadores
sociais, na educação, na saúde, na segurança, no desenvolvimento
econômico, industrial e tecnológico, na cultura, e especialmente no tipo
de política que ainda se pratica aqui. Em alguns aspectos, estamos na
Idade Média. O Rio Grande é um dos poucos estados ainda governados por
oligarquias. Mas a modernização que aqui também ocorre, a urbanização
acelerada, a revolução tecnológica, o aumento da escolarização, vêm
criando uma imensa brecha entre o que espera nosso valoroso povo, nossa
inteligente e vibrante juventude, setores de pensamento mais moderno que
crescem em nossas universidades e locais de trabalho, e a prática
dessas velhas oligarquias e elites empresarias, mesquinhas, que só
pensam em seus próprios interesses. Essa contradição uma hora vai
explodir. Essa fratura e o profundo descontentamento, especialmente da
nossa juventude, foram expressos nas ruas nas grandes manifestações de
junho de 2013. As pessoas não aguentam mais a velha forma de fazer
política. Vamos trazer a voz das ruas para a campanha. Ao contrário do
que quer fazer crer o governo de Dilma Rousseff, o Brasil continua a ser
o país das desigualdades e das carências.
JH – Qual será sua plataforma de campanha?
RB – Primeiramente um forte choque de qualidade na educação, com
elevação imediata do salário dos professores, para manter a atrair os
melhores profissionais, treinamento e melhoramento das escolas. Propomos
também um grande mutirão para zerar o analfabetismo no estado em 8
anos; essa chaga que nos envergonha em pleno século XXI. Esse foi um dos
segredos da arrancada tecnológica de países como a Coreia do Sul e a
China. Mas isso só se faz elevando a dotação do orçamento do estado para
o setor, que hoje, de fato, não passa de 15%, para no mínimo 25%. Em
segundo, queremos dar uma atenção especial à segurança, sabendo que
violência não se combate apenas com mais violência, com balas ou
justiçamentos. Isso é um equívoco. É necessário pensar a segurança de
forma integral, combinada com a questão social, ou seja, melhorar as
escolas, a saúde, criar empregos com melhores salários, esporte, cultura
e lazer, enfim dar oportunidades de progresso social aos nossos jovens.
Além disso, rediscutir o modelo militarizado de nossas polícias,
dotá-las de equipamento moderno, introduzindo no sistema antes de tudo a
inteligência e a prevenção, além de criar um plano de carreira que a
categoria justamente demanda. Em terceiro lugar, recuperar e reequipar
todo o sistema de saúde, especialmente as unidades básicas, portas de
entrada do sistema, para desafogar hospitais como o Walfredo Gurgel, o
que passa evidentemente pela valorização salarial e qualificação
intensiva de nossos servidores, redefinindo o orçamento. Outra proposta é
mudarmos radicalmente a equivocada política hídrica, de como enfrentar
as secas, hoje centrada em açudes, barreiros e barragens, onde a água,
além de contaminada, evapora em torno de 70%. Temos um dos semiáridos
mais chuvosos do mundo e não sabemos guardar a água. Nossa proposta é
construir dezenas de milhares de cisternas calçadão em pleno sertão para
armazenar a água limpa da chuva e até usarmos as próprias rodovias
federais e estaduais como coletores, com milhares de cisternas ao lado
delas, o que é uma proposta minha. Além disso, acelerar a Reforma
Agrária em nosso estado. Não é possível que num estado tão pequeno, que
importa quase todos os grãos que consome, do feijão ao milho, ainda
existam latifúndios com até 35 mil hectares, produzindo apenas cana,
como na época colonial. Precisamos produzir alimentos para baixar os
preços. Vamos inverter as prioridades: em vez de Copa e prioridade ao
sistema financeiro e ao mercado, nosso foco será a questão social.
JH – O que acha da política do RN?
RP – Temos aqui o que há de mais atrasado, mais fisiológico, mais
clientelista e mais repugnante na política brasileira. Nossos políticos
só pensam em se eleger para se aproveitarem da máquina pública em seu
próprio interesse ou de suas famílias. Os acordos eleitorais, como o
chapão que estamos vendo ai, não são baseados em princípios ou programas
para o desenvolvimento do estado, mas sim no loteamento da máquina
pública. Cada partido desses conluios apoia determinado candidato de
olho nos cargos comissionados que poderá ganhar depois. Vamos reduzir
drasticamente esses cargos comissionados e instituir concursos para
tudo. Já as obras públicas em certa cidade ou região, nessa velha
política, são apresentadas como concessão de determinado político, de
olho no retorno em votos na próxima eleição, o que chamamos
clientelismo, que é a base da política local no Brasil. Para nós, as
políticas públicas não são dádivas de político nenhum; devem ser
direitos universais do povo, pois é o povo que paga os impostos que
financiam essas obras. Vamos fazer um grande mutirão de recuperação dos
serviços públicos.
JH – O que acha dos candidatos ao governo do estado e ao senado?
RB – Quase todos os velhos políticos que se apresentam nestas
eleições já governaram ou ajudaram a eleger governantes no estado.
Apoiaram Micarla, apoiaram Rosalba, governaram juntos, e agora vêm falar
de mudança? Que mudança? O senhor Henrique Alves, representante da mais
velha oligarquia do estado, o que fez em 2012, quando perdemos quase
40% do rebanho com a seca? Na verdade, o que fez em 40 anos? Já a
senhora Wilma de Faria, envolvida até o pescoço, através de seu filho,
segundo relata a imprensa, em processos de corrupção, o que fez para
acabar com o analfabetismo em nosso estado quando governou? A gente como
ela, interessa mesmo é a continuidade da ignorância; assim é mais fácil
enganar o povo. Eleger Wilma é dar marcha à ré, voltar ao passado que
queremos superar. Sobre o senhor Robinson Faria, o fato de ser o vice de
Rosalba já diz tudo sobre ele. Ele é tão responsável quanto ela pelo
desastre que vive o estado. O PT, ao se aliar a ele, se iguala a toda
essa velha política, já não representa nada de novo, será mais do mesmo.
Jornal de Hoje – Por que quer ser candidato a governador?
Robério Paulino – Para operar uma transformação profunda nas velhas
estruturas sociais, econômicas, políticas, de gestão, do uso da terra,
em nosso estado. Para reorientar a política econômica que hoje atende
apenas aos interesses dos grandes grupos empresariais, das velhas
oligarquias e elites que dominam nosso estado – culturalmente medíocres,
mesquinhas, sem visão global e sem qualquer preocupação social –, de
forma a passar a governar antes de tudo para superar a profunda e
vergonhosa desigualdade social ainda existente em nossa terra. Também
para arrancar nosso estado do atraso econômico, tecnológico e cultural,
enfim, da ignorância. Mas, por enquanto, sou apenas o pré-candidato ao
governo. Apesar de ter vencido as prévias internas com praticamente 80%
dos votos, meu nome ainda precisa ser homologado pela convenção
partidária do PSOL.
JH – Qual visão o senhor tem do estado?
RP – Infelizmente, apesar de todas nossas potencialidades, vivemos
num dos estados mais atrasados do país quando se trata dos indicadores
sociais, na educação, na saúde, na segurança, no desenvolvimento
econômico, industrial e tecnológico, na cultura, e especialmente no tipo
de política que ainda se pratica aqui. Em alguns aspectos, estamos na
Idade Média. O Rio Grande é um dos poucos estados ainda governados por
oligarquias. Mas a modernização que aqui também ocorre, a urbanização
acelerada, a revolução tecnológica, o aumento da escolarização, vêm
criando uma imensa brecha entre o que espera nosso valoroso povo, nossa
inteligente e vibrante juventude, setores de pensamento mais moderno que
crescem em nossas universidades e locais de trabalho, e a prática
dessas velhas oligarquias e elites empresarias, mesquinhas, que só
pensam em seus próprios interesses. Essa contradição uma hora vai
explodir. Essa fratura e o profundo descontentamento, especialmente da
nossa juventude, foram expressos nas ruas nas grandes manifestações de
junho de 2013. As pessoas não aguentam mais a velha forma de fazer
política. Vamos trazer a voz das ruas para a campanha. Ao contrário do
que quer fazer crer o governo de Dilma Rousseff, o Brasil continua a ser
o país das desigualdades e das carências.
JH – Qual será sua plataforma de campanha?
RB – Primeiramente um forte choque de qualidade na educação, com
elevação imediata do salário dos professores, para manter a atrair os
melhores profissionais, treinamento e melhoramento das escolas. Propomos
também um grande mutirão para zerar o analfabetismo no estado em 8
anos; essa chaga que nos envergonha em pleno século XXI. Esse foi um dos
segredos da arrancada tecnológica de países como a Coreia do Sul e a
China. Mas isso só se faz elevando a dotação do orçamento do estado para
o setor, que hoje, de fato, não passa de 15%, para no mínimo 25%. Em
segundo, queremos dar uma atenção especial à segurança, sabendo que
violência não se combate apenas com mais violência, com balas ou
justiçamentos. Isso é um equívoco. É necessário pensar a segurança de
forma integral, combinada com a questão social, ou seja, melhorar as
escolas, a saúde, criar empregos com melhores salários, esporte, cultura
e lazer, enfim dar oportunidades de progresso social aos nossos jovens.
Além disso, rediscutir o modelo militarizado de nossas polícias,
dotá-las de equipamento moderno, introduzindo no sistema antes de tudo a
inteligência e a prevenção, além de criar um plano de carreira que a
categoria justamente demanda. Em terceiro lugar, recuperar e reequipar
todo o sistema de saúde, especialmente as unidades básicas, portas de
entrada do sistema, para desafogar hospitais como o Walfredo Gurgel, o
que passa evidentemente pela valorização salarial e qualificação
intensiva de nossos servidores, redefinindo o orçamento. Outra proposta é
mudarmos radicalmente a equivocada política hídrica, de como enfrentar
as secas, hoje centrada em açudes, barreiros e barragens, onde a água,
além de contaminada, evapora em torno de 70%. Temos um dos semiáridos
mais chuvosos do mundo e não sabemos guardar a água. Nossa proposta é
construir dezenas de milhares de cisternas calçadão em pleno sertão para
armazenar a água limpa da chuva e até usarmos as próprias rodovias
federais e estaduais como coletores, com milhares de cisternas ao lado
delas, o que é uma proposta minha. Além disso, acelerar a Reforma
Agrária em nosso estado. Não é possível que num estado tão pequeno, que
importa quase todos os grãos que consome, do feijão ao milho, ainda
existam latifúndios com até 35 mil hectares, produzindo apenas cana,
como na época colonial. Precisamos produzir alimentos para baixar os
preços. Vamos inverter as prioridades: em vez de Copa e prioridade ao
sistema financeiro e ao mercado, nosso foco será a questão social.
JH – O que acha da política do RN?
RP – Temos aqui o que há de mais atrasado, mais fisiológico, mais
clientelista e mais repugnante na política brasileira. Nossos políticos
só pensam em se eleger para se aproveitarem da máquina pública em seu
próprio interesse ou de suas famílias. Os acordos eleitorais, como o
chapão que estamos vendo ai, não são baseados em princípios ou programas
para o desenvolvimento do estado, mas sim no loteamento da máquina
pública. Cada partido desses conluios apoia determinado candidato de
olho nos cargos comissionados que poderá ganhar depois. Vamos reduzir
drasticamente esses cargos comissionados e instituir concursos para
tudo. Já as obras públicas em certa cidade ou região, nessa velha
política, são apresentadas como concessão de determinado político, de
olho no retorno em votos na próxima eleição, o que chamamos
clientelismo, que é a base da política local no Brasil. Para nós, as
políticas públicas não são dádivas de político nenhum; devem ser
direitos universais do povo, pois é o povo que paga os impostos que
financiam essas obras. Vamos fazer um grande mutirão de recuperação dos
serviços públicos.
JH – O que acha dos candidatos ao governo do estado e ao senado?
RB – Quase todos os velhos políticos que se apresentam nestas
eleições já governaram ou ajudaram a eleger governantes no estado.
Apoiaram Micarla, apoiaram Rosalba, governaram juntos, e agora vêm falar
de mudança? Que mudança? O senhor Henrique Alves, representante da mais
velha oligarquia do estado, o que fez em 2012, quando perdemos quase
40% do rebanho com a seca? Na verdade, o que fez em 40 anos? Já a
senhora Wilma de Faria, envolvida até o pescoço, através de seu filho,
segundo relata a imprensa, em processos de corrupção, o que fez para
acabar com o analfabetismo em nosso estado quando governou? A gente como
ela, interessa mesmo é a continuidade da ignorância; assim é mais fácil
enganar o povo. Eleger Wilma é dar marcha à ré, voltar ao passado que
queremos superar. Sobre o senhor Robinson Faria, o fato de ser o vice de
Rosalba já diz tudo sobre ele. Ele é tão responsável quanto ela pelo
desastre que vive o estado. O PT, ao se aliar a ele, se iguala a toda
essa velha política, já não representa nada de novo, será mais do mesmo.
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